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2007 Apr 16

Anônimos famosos

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Não precisa ser uma pessoa muito observadora, basta andar por Campina Grande (PB) que você vai perceber o quanto os “anônimos famosos” chamam atenção. O que os torna tão atraentes é a presença e interação com os outros, os “não famosos” (veja imagem logo abaixo).

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Quando misturados, mudam o cenário a cada movimento e eu, como “observador de coisas que ninguém presta atençao”, resolvi fotografar alguns “quadros” enquanto foi possível.

As fotos dos “anônimos famosos”, estampadas pelas paradas de ônibus, são do fotografo César de Cesário, que mistura - até onde percebí - pessoas do cotidiano da cidade, dentre elas o Boca de Bacia, Etiane, o Gordo do Calçadão, o Major Palito, dentre muitos outros :)

Coisa de quem não tem o que fazer? Pode até ser, mas se eu não tivesse parado 5 minutos em frente a uma parada de ônibus (ouvindo uma “orquestra” de buzinas - sim, esqueci de dizer que eu estava “dirigindo” e que em Campina Grande é a capital brasileira da buzina - depois eu falo sobre isso), não teria assunto para atualizar o blog e vocês não saberiam dessa “exposição ao ar livre”, mesmo que no interior de um Estado pequeno do Nordeste do Brasil :)

Até a próxima :)

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10 Comentários

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  1. # Tato

    Snap Preview??? Você???
    :P

  2. # Fawller

    Cara, você consegue dirigir em Campinha Grande? ô povo pra dirigir ruim! Tive lá esse fim de semana…

  3. # wilson

    “Anônimos famosos” fazem parte do folclore te todas as cidades, sejam grandes ou pequenas. Anônimos sim, mas com certeza, inesquecíveis.

    Por aqui tínhamos o “Pé na cova”, um pedinte que transitava pelas mesas de bar declinando os seus atributos: “Me ajudem, por favor. Sou cardíaco, epilético, tenho asma e sou míope…”

    Tinha a Naná, negona arretada, piradíssima que vestia-se de preto e empoava a cara com pó-de-arroz claro e usava um impossível chapéu de palha todo enfeitado com flores de papel crepon. Gostava de um “mé” e quando tomava “todas”, tirava a roupa e agarrava-se a um poste. E, ai de quem ousasse tapar-lhe “as vergonhas”! A nega tirava a gilete da boca e ameaçava, dizendo todos os palavrões do mundo. Só se acalmava quando chegava a “Dona Justa”. Acalmava-se e sorria, sem os dentes, para o milico. Naná era toda cheia de “dengos”.

    Tinha também a bichinha que foi apelidada de Nijinsky. Antigo aluno da Escola de Bailado do Teatro Municipal, perdeu um pouco da audição e passou a dançar fora do rítimo. Teve de deixar a escola de dança e caiu nas bebidas e drogas. Vivia alí, pelo Jeca, na esquina da Ipiranga com a São João. Quando surtava, ia até a esquina, esperava o sinal fechar e atravessava a avenida, dando tesouras pelo ar. Do outro lado, curvava-se e agradecia a todos. E todos os apludiam entusiásticamente.

    Tinha mais: Marta, a puta da Sé, conhecidíssima por mostrar os peitões a tudo quanto era macho que via pela frente; tinha o “Paganini” um violinista frustrado que não tirava uma nota seuer do instrumento. Dona Nenê, ja bastante idosa que tinha a blusa e a saia repleta de botons do tipo Paz e Amor.

    Tudo isso sem contar os ilustres anônimos do Exército da Salvação, com seus indefectíveis uniformes, levando palavras de conforto e carinho ao pobres,às putas,às bichas, aos bebados e desvalidos desse mundaréu de Deus.

    Em silêncio, como quem não quer nada, eles entram por todas as portas deste mundo e acontecem por uma década ou mais. E, por elas saem em silêncio. Mas, bem ou mal, deixam suas marcas na vida da cidade e nas lembranças de cada um.

    Coisa boa ser um ilustre anônimo! Aos anônimos exigimos que sejam apenas o que são. Nada mais que isso. Já com os ilustres conhecidos, a música é outra…

    Continue observando, sobrinho. ;)

    Abração.

  4. # Karlisson

    É, eu não conseguiria prestar atenção a isso, principalmente no meio do trânsito…

  5. # Mallien

    Rapaz ficou massa, mas um dia temos que bater la so para tirar essas fotos! ehehe.

    Zeck lá é o próprio senhor buzina!

  6. # wilson

    Aqui tivemos também anônimos mais famosos que os famosos. Um dia, do nada apareceram e, noutro, desapareceram no nada. É lembrada por todos a bichinha bailarina que por não ter ouvido para música, pirou de vez e caiu nas drogas e bebidas. Ficava lá na Av. Saõ João, com a Ipiranga. Esperava o sinal fecha e atravessava a avenida dando tesouras no ar. Na calçada, fazia reverência e era aplaudida por motoristas e pedestres. Sabia-se de sua história. Mas niguém sabia seu nome, onde morava. quem realmente ela era.

  7. # wilson

    Havia também a Diana. Uma negona alta e esguia que insistia em usar pó-de-arroz branco e um incrível batom vermelho. Uma rosa de plástico nos cabelos ruins e armados. Catava papel e era movida a álcool. Era faceira e cheia de dengues. Vivia fazendo lanche com os advogados e contínuos do Forum. Mas, era movida a álcool e, quando tomava todas e mais algumas, pirava de vez. Gritava, xingava; tirava a roupa toda e agarrava-se a um poste. Quando alguém tentava aproximar-se, tentado tapar-lhe “as vergonhas”, ela tirava da boca uma gilete - coisa de puta velha - e ameaçava a todos. Só socegava quando chegava a viatura da ronda da Sé. Diana era chegada num PM. Vestia-se e fazia caras e beicinhos, toda sedutora.

  8. # wilson

    Havia também o Pé-na-cova, pedinte que dizia ter uma infinidade de doenças - cada uma delas, por si, já era mortal. E ele “tinha” todas.

    Havia a Madame, uma senhora que insistia em vestir-se em trajes de noite preto com pedrarias e um umenso chapéu preto com plumas negras. Levava à mão uma sacola de feira e entrava em tudo quanto era loja de alto padrão lá na Rua Augusta.

    Tinha o Ceguinho, que todos sabiam que via muito bem; Paganini, um violinista frustrado que carregava partituras e violino, mas que nunca tocava; tinha Rita Biscate - viciada em cheirar éter - puta de rua que vivia mostrando os peitões prá todo mundo.

    Todos desapareceram assim como surgiram, do nada. Todos eles ilustres desconhecidos. Sem histórias os dramas para contar, viraram folclore e lembranças do povo.

  9. # Léo Flôr

    Bom dia Zeck. Em busca de suprir meu ego, fiz uma busca por mim mesmo no google e no yahoo, e acabei descobrindo que me encontro também entre os que mais postam no seu site. Engraçado esse tópico sobre famosos anonimos… acabamos sendo famosos anonimos da internet^^, os famosos “quens” da net, serve pra vc mandar p akele amigo desoculpado… (Olha eu aí!)
    Grande abraço até breve!

  10. # Sandro Fortunato

    Putz! Não tinha visto este post. Daí a idiotice de, um mês depois, enviar o link. (ANTA!)

    Nunca havia feito a ligação: você > buzina > Campina. O diabo, seu tridente e o inferno. ;P

    Quanto aos anônimos… conheço pelo menos um deles (Mahanama - http://www.hiperclassificados.com.br/anonimos/tela_19.html ) e já vi outros pelas ruas.

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